No coração do Rio de Janeiro nasceu uma das histórias mais inspiradoras da economia criativa brasileira. Alice Freitas, advogada de formação e empreendedora social por vocação, é a mente por trás da Rede Asta — um negócio social que há duas décadas transforma a vida de milhares de mulheres artesãs em todo o país.
Nesta quinta, estará ao vivo no Creative Fundraising Program como professora convidada e o tema “Leis de Incentivo e Escolhas de Mecanismos de Captação de Recursos para Projetos e Negócios Criativos”. Mais do que uma especialista, Alice é um símbolo de como o empreendedorismo feminino pode reconfigurar as engrenagens da economia e inspirar novas lideranças a desenharem futuros de impacto.
Da Ásia ao Brasil: a gênese de uma liderança criativa
Em 2003, durante uma viagem de pesquisa por Bangladesh, Índia, Tailândia e Vietnã, Alice mergulhou em comunidades que transformavam resíduos em renda. Essa vivência, somada a sua experiência no AfroReggae, reacendeu nela uma missão: unir propósito e mercado em um mesmo negócio.
Foi assim que nasceu a Rede Asta, inicialmente com um grupo de 30 mulheres recicladoras em Campo Grande (RJ). O que parecia apenas uma iniciativa local se tornou, ao longo dos anos, uma rede nacional de capacitação e vendas que conecta artesãs, designers, empresas e consumidores em torno do consumo sustentável e do comércio justo.
Rede Asta: negócios que giram a roda da inclusão
A Rede Asta não é apenas uma vitrine para produtos artesanais. É uma escola de negócios e design que ensina mulheres a produzirem, precificarem, venderem e negociarem.
Hoje, são centenas de grupos produtivos conectados por meio da plataforma digital, com programas de capacitação em design colaborativo, empreendedorismo e acesso a mercados. Projetos como o “Rede + Renda” ofereceram cursos online de gestão e vitrines virtuais, multiplicando oportunidades para costureiras e artesãs em diferentes regiões do país.
Esse modelo fez da Rede Asta finalista do Prêmio Empreendedor Social da Folha de S. Paulo em 2013 e, anos mais tarde, finalista do MIT Solve Challenge em 2022. Reconhecimentos que atestam não apenas sua solidez, mas a relevância de pensar negócios como ferramentas de transformação social.
A aula de hoje: o poder das escolhas estratégicas na captação
No Creative Fundraising Program, Alice traz toda essa bagagem para discutir Leis de Incentivo e mecanismos de captação. A partir de sua vivência, os participantes terão acesso a um conteúdo que não é só técnico, mas profundamente prático e visionário.
Entre os aprendizados que a aula trará:
- Leis de Incentivo como instrumentos de viabilização financeira de projetos criativos.
- Entender os mecanismos de captação mais adequados a cada perfil de projeto — seja cultural, social ou de inovação.
- Desenvolver competências estratégicas para dialogar com empresas, investidores e financiadores, transformando ideias em projetos financiados e sustentáveis.
- Aprender com cases reais, como a Rede Asta, que soube alinhar impacto social, design e mercado com inteligência e propósito.
A potência feminina no centro da transformação
Alice representa uma geração de mulheres que não se limita a ocupar espaço: ela cria espaços novos, mais justos e inclusivos. Seu trabalho prova que a economia criativa é um campo fértil para unir beleza, propósito e rentabilidade.
Assim como a Rede Asta, que conecta talentos invisíveis ao mercado global, sua aula de hoje conecta os futuros fundraisers criativos a um ecossistema de possibilidades. Afinal, captar recursos não é apenas sobre dinheiro, é sobre dar vida a ideias transformadoras.
A presença de Alice Freitas no Creative Fundraising Program não é apenas uma aula no calendário. É um convite para que cada participante olhe para além dos números, enxergue as pessoas, os territórios e os futuros possíveis.
Se os criativos celebram sua estética sofisticada de unir design e impacto, e os patrocinadores exaltam suas competências de liderança e gestão, o que todos aprendem com Alice é simples e poderoso: a criatividade, quando bem financiada, pode transformar o mundo — a começa pelas pessoas.



